16 de Dezembro de 2014
A Audiência Pública é interrompida e o movimento sofre ameaças de morte.

Após a realização de um ato na porta da Prefeitura, 1.200 e-mails enviados e quase 100 ligações, o Prefeito Fernando Haddad cedeu a pressão e convocou uma audiência pública ocorrida na segunda, dia 15/12.

A audiência, porém, foi tumultuada e mal organziada desde o início. A princípio, os representantes da prefeitura tentaram excluir membros do movimento e queriam que o evento fosse uma apresentação do empreendimento e não uma debate sobre o destino da área e negociação do que poderia ser feito como alternativa. Após a conquista do direito de fala, Wesley Rosa, uma das lideranças do movimento "Parque dos Búfalos já", listou pelo menos seis áreas alternativas para construção das casas populares sem que haja impacto ambiental (a área possui ao menos 8 nascentes e mata ciliar), nem fim da área de lazer para a população.

Apesar disso, sua fala foi violentamente interrompida pelo grupo que é a favor do Residencial Espanhã, alegando que o movimento pró-parque seria contra habitações para fins sociais, o que é uma falácia, pois o movimento se mostrou a favor de moradias populares desde o início. Além da interrupção, o grau de violência subiu gravemente em seguida, quando alguns integrantes dos movimento Parque dos Búfalos sofreram ameaças de morte e agressões físicas (socos, pontapés e cadeiradas). As vítimas fizeram Boletim de Ocorrência, exame de corpo delito, uma minuta de anulação da Audiência, que foi encerrada após o tumulto que se estendeu até que todos os membros do movimento saíssem escoltados do local, sob forte ameaça e intervenção da Polícia Militar que passava na Estrada do Alvarenga. Só assim os agressores pararam e fugiram do local.

A demanda por moradias populares é legítima, mas a escolha do Parque dos Búfalos para esse projeto vai trazer graves problemas para toda a cidade: 70 mil habitantes do Jardim Apurá na Pedreira, região muito carente de São Paulo, vão perder uma grande área de lazer e de preservação ambiental; 8 nascentes correm o risco de sumirem do mapa com os 193 prédios; não há infraestrutura adequada no local para receber 9 mil famílias, quase 20 mil pessoas.

Há terrenos disponíveis perto da Represa que podem ser usados para a construção das moradias sem que o Parque dos Búfalos seja destruído!

Folha de S. Paulo | Audiência pública sobre Parque dos Búfalos é interrompida após tumulto
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/12/1562840-audiencia-publica-sobre-parque-dos-bufalos-e-interrompida-apos-tumulto.shtml